O Projeto

História e fatos do projeto.

Resguardado e acolhedor

Este final de semana encontrei uma professora e amiga que estava considerando uma mudança para o meio rural. Disse que adorava a região da nossa Ecovila pela beleza.

-"Mas vocês são meio fechados, né?"

Acho que ficamos com uma fama de fechados por termos uma aceitação formal das pessoas que querem participar. Mas não quer dizer que seja fechado, não!

A origem desta aceitação formal foi pensando casos como uma herança para alguém distante e que não tem afinidade ou compreensão dos objetivos da nossa Ecovila. E resolve fazer lá algo como um canil de rottweiler ou uma fábrica de sabão. Neste caso o herdeiro recebe o valor devido, mas não participa da Ecovila.

Em uma ocasião, uma pessoa, que já havia morando na região, se candidatou. Consultamos nossos vizinhos, que já o conheciam, porém todos recomendaram evitar. A candidatura não foi aceita. Foi um caso extremo, mas seguramente aceitar o candidato.

Porém, a proposta da nossa Ecovila é muito aberta e dá grande valor à diversidade. Se você está lendo este site, provavelmente já tem afinidade com o tema de vida com baixo impacto ecológico e bom impacto social. Então é está praticamente dentro. Não interessa religião, formação, cor, sexo, preferências políticas, etc.  Sendo honesto, valorizando o diálogo, respeitando o próximo, é o que importa!

Esta linhas são para reforçar isto: resguardado até pode ser, mas não é um grupo fechado, não! Só queremos evitar algum absurdo ou falta de afinidade. Afinal, é uma comunidade que se constrói.

Dion

Panorama da Ecovila Tibá, 2007

Ecovila Tibá - o projeto

Esta página é um centro de discussão para transformar um sonho em plano. Muitos amigos se juntam em torno de uma idéia antiga, talvez até creditada ao inconsciente coletivo. A idéia de favorecer uma vida com muito convívio humano, muito aprendizado e boa qualidade através do estabelecimento de uma comunidade de amigos em local comum.

Como benefícios vistos, têm-se um grande potencial de convivência com pessoas que se gosta, um baixo custo de vida compartilhado, um local maravilhoso para criar crianças, possibilidade de produzir alimentos com qualidade (ainda que só parte deles), deixar um legado ambiental positivo.

Tudo parece tão bom... por que não seria possível?

Dion

Ecovila Tibá, o nome

Tibá, em tupi:

  1. Segundo o Dicionário De Topônimos Brasileiros de Origem Tupi, Luiz Caldas Tibiriçá, SP: Traço Editora, 1997:
    Tiba, Tuba - do tupi tyba, suf. Que se coloca no fim das palavras dando-lhe sentido de abundância, coletividade; pacoba, bananeira; pacotyba, bananal; curi, pinheiro; curityba, pinheiral; piripiri, brejo; piripirityba, brejal, de onde Piripirituba, cidade da Paraíba.
  2. Outra fonte de pesquisa, O Tupi - nossa linguagem ecológica, de Alexandre P. Leontsinis, RJ: Biblioteca Stassa Leontsinis:
    Tuba resultou de Tyba = o lugar de muito. Ex.: Ubatuba = o porto das muitas ubás.
    Tuba - o pai, o chefe do clã (T + UBA)
    Tupã vem de tuba (o pai) + ã (elevado, alto, de cima) = o pai do Alto = Deus
    Tupi vem de tuba (o pai) + ~i (diminutivo) = o paizinho = ancestral = os Tupi
    Tupinambá vem de tupi (pai, ancestral) + na (semelhante) + aba (homem, gente) = os semelhantes a nosso pai. Nome genérico das tribos tupi.
  3. Dicionário Guarani Português - Luiz Caldas Tibiriçá, SP: Traço Editora, 1989.
    O sufixo tî indica "grande quantidade" (Tupi - tîba).
por: Ana Flávia

Ecovila Tibá em tópicos resumidos

Localização: semi-urbana, a 17km do centro da cidade de São Carlos. Um sítio de 11 alqueires paulistas, que está sendo estudado quanto à implantação dos terrenos familiares (cerca de 500m^2 cada), reservas, cultivares coletivos e infra-estrutura.

Cidade: São Carlos.

Estilos de vida: prezamos a diversidade. Buscamos participantes com diversos históricos pessoais, de maneira a nos completarmos e aumentarmos a robustez pela diversidade. Jovens, aposentados, famílias, solteiros, vegetarianos, carnívoros.... o mais importante é a maturidade emocional e a capacidade de se sustentar.

Organização financeira: cada moradia contribuirá equalitariamente para a infra-estrutura comunitária e proporcional à infra-estrutura de seu serviço (por exemplo, a estrada que leva à sua casa será partilhada por você e seus visinhos somente. A estrada que leva ao Centrotiba será partilhada por todos).

Religião: incentivamos a religiosidade, mas não incentivamos nenhuma religião em particular. Prezamos a diversidade, por isso não acolhemos a doutrinação do próximo.

Política: acreditamos na atuação de todo cidadão na sociedade que o cerca, porém não aderimos a nenhum partido ou doutrina política.

Educação: deveremos optar entre adotar e "turbinar" uma pequena escola local ou até criar uma escola na comunidade. Dependerá do empenho e interesse dos envolvidos.

Trabalho: optamos por não agregar a comunidade em torno de uma atividade econômica central, sob pena de uma ir mal se a segunda minguar. Apesar de ser um tópico a ser desenvolvido por cada morador (sua atividade econômica), a associação entre moradores é encorajada e haverá uma infra-estrutura comunitária para incentivar esta associação (biblioteca, escritórios, ateliers, etc).

Missão e Visão

Missão (Tibá em uma frase)

Procurar uma forma de vida que permita o máximo de aprendizado (diversidade, por convívio humano, entidades, livros, consigo mesmo), sem destruir o ambiente. Dividir este conhecimento com as outras pessoas.

Visão

Amigos e família morando próximos uns dos outros, mas ainda com individualidade, dividindo áreas comuns que propiciem o convívio, o trabalho e redução do custo de vida, com baixo impacto ambiental. Manter sempre relações normais de convívio e econômicas com pessoas que morem fora deste condomínio.

Algumas linhas soltas...

Propiciar o convívio: o motivo principal de Viver é o crescimento espiritual (aprender e construir). E creio também que este se dá através da nossas relações com outras pessoas e entidades. Essas relações podem ser diretas (face à face) ou indiretas (livros, música, cinema, teatro...). Procurar ter um tipo de viver que maximize a diversidade, as relações ricas, com pessoas interessantes e com convívio intenso, com tempo.

O bom convívio é feito metade de tolerância e metade de respeito.

Simplicidade voluntária. Como já falava Cézanne (creio) "Simples é o Contrário de Fácil". Procuro o Simples: usar o necessário, nem mais, nem menos. Não prentendo ter uma vida de privações, mas ter uma vida simples. O grandes prazeres da vida, para mim, são simples. Um pé de
mangericão fresco, por exemplo. Cheiro de pão assando. Boa música. Boa prosa. Outro "grande lider espiritual" neste sentido é o grande Balú, o urso de Mogli, o Menino Lobo, que cantava:
"Eu uso o necessário/ somente o necessário/ o extraordinário é demais / Necessário, somente o necessário/ por isso é que esta vida eu vivo em paz..."

Permanência: buscar uma forma de vida sustentável ambientalmente e economicamente. Ser poeta no sentido grego: aquele que usa bem o ambiente onde vive.

Reduzir custos através da melhor utilização de recursos pela comunidade.

Não se contentar com pouco. Sempre tentar conseguir fazer o melhor possível.
Valorização da diversidade, pois nela se encontra uma enorme fonte de aprendizado. Respeitar sempre o equilíbrio de cada um. Cada um terá tempos, necessidades, anseios diferentes (embora dentro dos valores gerais).

Comunicação: o convívio e a diversidade só trarão benefício se houver comunicação franca, amorosa e rica entre os integrantes.

Apoio mútuo: no trabalho, na amizade e econômico (através de regras previamente estabelecidas).

Exercer a visão crítica do mundo: nos hábitos pessoais, no consumo, na educação, na alimentação, etc.

Ética e valores tibaporás

 

"...à semelhança de um pescador que joga a isca, o homem lança uma fantasia à distância e lentamente começa a puxar a linha.."
(Willian Irwin Thompson)

Por que identificar princípios, valores e atitudes fundamentais para os tibaenses? Por que falar em Ética?
O Tibá nasceu como um sonho e, progressivamente vem caminhando em direção à materialização e realização desses anseios. Muitos dos nossos desejos dizem respeito a uma sociedade diferente, ou melhor, a novos estilos de convivência - novas formas de se relacionar consigo, com outras pessoas e com o planeta e seus seres.
Sonhamos com interações mais amorosas (Gil), o cultivo de amizades
sólidas (Clara), o respeito a todas as formas de vida (Nena), o
respeito aos nossos limites e potenciação das qualidades individuais
(Aninha), a simplicidade voluntária e um bom emprego do tempo (Dion), cooperação espontânea e liberdade (Adriano). Estes - entre outros - são sonhos compartilhados, que mudam apenas na expressão verbal, mas ressoam enquanto sentimentos verdadeiros.
Temos pesquisado e discutido sobre a organização da ecovila (e.g.,
utilização dos espaços, tamanho, número de habitantes, localização),
seu funcionamento (e.g., estilos de liderança, resolução de conflitos,
tomada de decisões, quem entre e quem sai) e percebemos que algo está por trás de tudo isso: nossos valores. Eles nos ajudam a definir e
estabelecer metas e diretrizes, a "dar a nossa cara" pra ecovila, a
delinear os objetivos e intenções do grupo. Acreditamos que os nossos
valores irão nos aproximar dos futuros tibaenses, que virão até nós
pela identificação. Antes de tornarmos claras nossas intenções, com o
Plano de (Con) Vivência, faremos algumas ressalvas sobre os conceitos
de Ética ao longo do tempo. De que ética o Tibá está falando?

Plano de (Con) Vivência

Alguns dos valores mencionados pelo grupo foram coletados em uma
dinâmica em que pediu-se para listarem pelo menos 3 valores para cada uma das três dimensões: eu, o outro e o planeta. Com as respostas obtidas e outros referenciais já explicitados pelo grupo em diversas discussões, podemos identificar:
A) Valores que queremos alcançar em âmbito individual:
: Liberdade de ser e de se expressar, ter um espaço individual
preservado. Ter os próprios limites respeitados e potencialidades
valorizadas.
: Viver em harmonia e equilíbrio, conservando as saúdes física, mental e
espiritual.
: Buscar o desapego.
: Cultivar amizades sólidas, estando atento a si próprio e ao outro.
: Ter espaços para contemplação e para observação interna (silêncio).
: Aprender a empregar bem o tempo.
: Buscar o crescimento pessoal e espiritual - auto-conhecimento.
: Compromisso com o desenvolvimento dos aspectos pessoais que não são tão fortes e com o usar sabiamente as qualidades individuais.
: Buscar a paz, alegria, sinceridade, não julgamento.

B) Valores que queremos desenvolver em relação às outras pessoas e ao grupo:
: Priorizar a convivência harmoniosa
: Estabelecer relações mais humanizadas e afetuosas
: Compromisso com a auto-análise do grupo
: Ajudar os outros sempre que possível.
: Aprender e ensinar (troca).
: Solidariedade
: Respeitar os direitos do outro
: Compreensão e tolerância.
: Compartilhar
: Evitar conflitos e facilitar tudo, a vida. Buscar a solução de
conflitos e aprender com eles.
: Não submeter, nem ser submisso (liderança em círculo)
: Ter relações que propiciem o crescimento através de uma comunicação
franca, transparência e amorosidade
: Audição empática (ouvir sem julgar)
: Delegar o poder, sem abrir mão dele (responsabilidade)
: Cooperação espontâneaC) Valores que desejamos pôr em prática em prol do planeta:
: Interagir amorosamente. Cuidar do planeta como se cuidasse de si mesmo.
: Observar para aprender. Observar os ciclos e ritmos da natureza e se
harmonizar com ele.
: Amar e respeitar todas as formas de vida, cada qual em seu processo.
: Preservar a natureza
: Fazer a nossa parte para viver em paz
: Divulgar éticas e práticas para um mundo melhor
: Mostrar pelo exemplo e pela prática
: Buscar a fluidez das coisas, para que haja facilidade em fazer o que se
veio fazer nesse mundo. Descomplicar.
: Usar somente o necessário (simplicidade voluntária)
: Contribuir ativamente por um mundo melhor (do lado da permanência/
manutenção e do lado da humanidade/ relações).

D)Enfim, valores que o Tibá incentiva e almeja alcançar em seu
funcionamento e relacionamentos:
: Experienciar a vida em grupo como ferramenta de crescimento pessoal: priorizar o convívio, um tipo de viver que maximize as relações ricas, com pessoas interessantes e com convívio intenso, com tempo. Aprimorar a convivência humana - convivência que promova a compreensão da complexidade dos fenômenos da natureza e das ações humanas, desenvolvendo habilidades de diálogo para a convivência social e a resolução de conflitos, que leve à cooperação entre as pessoas e grupos sociais portadores de diferentes saberes e culturas. Tecer uma rede de confiança e solidariedade.
: Ter um contato maior com a natureza, respeitando a vida em suas
diferentes manifestações.
: Simplicidade voluntária: usar o necessário, sem ter privações, mas
visando o simples, os prazeres simples.
: Permanência: buscar uma forma de vida sustentável ambiental e
economicamente.
: Reduzir custos através da melhor utilização de recursos pela
comunidade, pelo compartilhar. Compartillhar saberes e materiais,
orientados elo princípio de se evitar o supérfluo e o desperdício.
: Sempre tentar fazer o melhor possível. Não se contentar com pouco.
: Valorização da diversidade, pois é através dela que aprendemos.
Respeitar o tempo, as necessidades, os limites e anseios de cada um.
: Comunicação: franca e aberta, para que o convívio e a diversidade
tragam benefícios. Criação de espaços de fala e escuta, que promovem o auto-conhecimento, o conhecimento do outro, a percepção das diferenças e o diálogo como mediação dos conflitos inerentes à condição de desenvolvimento humano e social.
: Apoio mútuo: no trabalho, na amizade e economicamente. Visar a
atitude de receber, acolher, incluir, integrar ao invés de segregar,
excluir, dificultar o acesso.
: Exercer a visão crítica do mundo: nos hábitos pessoais, no consumo,
na educação, na alimentação, etc.Bem, esse é um esboço do que poderemos discutir.

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